05
Jan
16

Os números de 2015

Vamos fazer a retrospectiva 2015? O resumo estatístico de 2015 do blog é este:

Em 2015, publicamos 17 artigos e 113 imagens sobre as atividades da Funai na área Xavante e sobre os povos indígenas. Durante o ano, o blog recebeu mais de 5.800 visitas!

Saiba mais lendo o relatório completo (clique aqui para ler)

25
Nov
15

Dia do Cinema Xavante: aprendizagem e troca em Nova Xavantina

O projeto prevê a realização de exibições de documentários com temática indígena em aldeias das Terras Indígenas Parabubure, em Campinápolis/MT e Ubawawe, em Santo Antônio do Leste/MT, e é executado pelas Coordenações Técnicas Locais da Funai em Nova Xavantina e Campinápolis. Apoiado com recursos do Museu do Índio prevê, ainda, a produção de uma caixa com os filmes exibidos para distribuição em todas as escolas indígenas das terras Xavante.

O público presente no auditório da Universidade era composto principalmente por estudantes e professores universitários e por estudantes Xavante do ensino fundamental e médio. Para o deslocamento dos indígenas, a Secretaria Municipal de Educação, parceira no projeto, disponibilizou ônibus escolar. Segundo os realizadores, os jovens Xavante estavam animados não só pela participação em evento sobre seu povo, mas também porque, para muitos deles, era a primeira vez em que entravam no campus daquela universidade.

Exibição do filme "Índios no Poder". Foto: Rodrigo Siqueira.

Exibição do filme “Índios no Poder”. Foto: Rodrigo Siqueira.

O primeiro filme exibido foi “Índios no Poder”, de Rodrigo Siqueira, que estava presente no evento. “Índios no Poder”, recém lançado, aborda a questão da representatividade política dos povos indígenas no Congresso Nacional. O diretor acrescentou, durante o debate, que a crise de representatividade no Congresso não é só dos povos indígenas, mas de toda a população brasileira.

O cineasta estava curioso para saber a reação do povo Xavante ao assistir, no filme, a homenagem ao único deputado federal indígena eleito, o Xavante Mário Juruna. Renhinimá, mulher Xavante presente no evento, disse que foi o filme que mais gostou na noite e que gostaria de passar o filme em sua aldeia para que seus familiares soubessem mais sobre a história do parlamentar.

Em seguida, foi exibido o filme “Uma Casa Uma Vida”, do coletivo Raiz das Imagens, representado no evento por Alexandre Lemos, que produziu não só o filme, mas também a experiência com bio-construção em aldeias Xavante que o filme registrou, em 2013. A exibição do curta deixou claro que a luta pela autodeterminação e valorização cultural dos povos indígenas vai além da manutenção da língua materna e dos rituais, e perpassa por todas as relações sociais e de produções da vida, como a própria habitação. Nesse sentido, Alexandre Lemos contou que um dos objetivos do filme foi promover um debate crítico nas comunidades Xavante sobre as políticas públicas governamentais, quando aplicadas de forma generalizante. Como exemplo, destacou o programa Minha Casa, Minha Vida, estendido aos povos indígenas muitas vezes sem considerar de fato suas especificidades.

Alexandre Lemos fala sobre o filme Uma Casa, Uma Vida. Foto: Maíra Ribeiro/Funai

Alexandre Lemos fala sobre o filme Uma Casa, Uma Vida. Foto: Maíra Ribeiro/Funai

Por fim, foi exibido o filme “Tsõ’rehipãri – Sangradouro”, de 2009, que conta a história do povo Xavante da aldeia Sangradouro, desde o contato até os dias atuais, e os desafios da nova geração para o futuro. O diretor Divino Tserewahu, um dos mais experientes cineastas Xavante, apresentou o filme comovido, pois seria a primeira vez em que o assistiria após a morte de sua mãe, que aparece na película. No curta, a mãe deixa a mensagem: “A minha imagem nunca vai acabar depois que eu morrer”.

A preocupação dos anciãos da aldeia Sangradouro sobre a continuidade de aspectos da cultura Xavante, retratada no filme, gerou debate entre os participantes ao final das exibições. Divino mencionou que sua maior preocupação é registrar o que está vendo, ter o poder de contar uma história, e dar voz à palavra dos anciãos através do cinema.

Divino Tserewahu, cineasta Xavante. Foto: Maíra Ribeiro/Funai

Divino Tserewahu, cineasta Xavante. Foto: Maíra Ribeiro/Funai

Na televisão

Antes do Dia do Cinema Xavante, os diretores participaram do programa televisivo Alô Xavantina, transmitido pelo SBT local. Na televisão, os diretores tiveram a oportunidade de narrar suas trajetórias e a temática dos filmes exibidos. “A televisão atinge mais pessoas do que o próprio evento e pudemos divulgar a produção audiovisual indígena para além do Dia do Cinema. Tivemos, na cidade, a presença de cineastas comprometidos, como o Divino Tserewahu, que é um cineasta Xavante que participa de festivais dentro e fora do Brasil, enquanto na sua própria região não é reconhecido” contou Maíra Ribeiro, servidora da Funai que organizou o evento.

Diretores no programa televisivo Alô Xavantina. Foto: Maíra Ribeiro/Funai

Diretores no programa televisivo Alô Xavantina. Foto: TV Cidade/SBT

Fonte: Página da Funai

09
Nov
15

Vem aí o Dia do Cinema Xavante em Nova Xavantina: 18 de novembro na Unemat

O cinema tem o poder de nos levar a experimentar novas vivências, sem precisarmos sair de onde estamos. Nessa certeza, o Dia do Cinema Xavante fará exibição de filmes sobre os povos indígenas e particularmente o povo Xavante para trazer informações, sensações e debate para a população xavantinense, em especial os moradores indígenas e os estudantes universitários. Afinal, um passo importante para quebrar o preconceito é conhecer o outro.

O Dia do Cinema Xavante acontecerá na quarta-feira, 18 de novembro de 2015, em Nova Xavantina. O evento é gratuito e aberto a toda a população. A partir das sete da noite no auditório da Unemat, serão exibidos três documentários, seguidos por um bate-papo com os realizadores desses filmes. Está previsto um ônibus da Secretaria Municipal de Educação para transportar os estudantes indígenas da cidade para participarem do evento.

“Índios no Poder” é o documentário recém-lançado de Rodrigo Arajeju e discute a representação parlamentar indígena. Em seguida, será exibido “Uma Casa Uma Vida”, de Raiz das Imagens, documentário que discute a habitação xavante ao mesmo tempo que registra uma experência de bioconstrução em duas aldeias xavante. Por fim, será exibido o filme” Tso’hipãri – Sangradouro”, que conta a história da Terra Indígena Sangradouro a partir da perspectiva do povo Xavante. Este último filme foi dirigido pelo cineasta Xavante Divino Tserewahu, que estará presente no evento contando sua trajetória, juntamente com Rodrigo Arajeju e Alexandre Lemos, produtor do filme “Uma Casa Uma Vida”. Os realizadores falarão um pouco sobre a ferramenta audiovisual, suas experiências, perspectivas e sobre os temas dos filmes produzidos.

O  Dia do Cinema Xavante é uma realização da Coordenação Técnica Local em Nova Xavantina da Funai, com apoio do campus de Nova Xavantina da Unemat e da Secretaria Municipal de Educação. O evento faz parte do projeto “Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater”, da Funai, que promove sessões de cinema itinerante nas aldeias das Terras Indígenas Parabubure e Ubawawe e conta com o apoio do Museu do Índio/Funai.

Confira a programação completa:

cartaz filmes

Mais informações: maira.ribeiro@funai.gov.br

28
Out
15

Comissão da Câmara aprova parecer da PEC 215 com novas alterações

Em protesto contra votação, povos indígenas trancam 14 rodovias em 12 estados e parlamentares indigenistas deixam sessão da comissão. Relator propôs tramitação semelhante a das Medidas Provisórias para as demarcações indígenas dentro do Congresso

Por Oswaldo Braga de Souza/ISA

Dominada pelos ruralistas, a Comissão Especial que analisa a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215 aprovou, na noite de ontem (27/10), o parecer do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). De última hora, o parlamentar alterou seu texto, mudando o trâmite das demarcações de Terras Indígenas (TIs) no Congresso.

 

Parlamentares indigenistas deixam reunião da Comissão Especial

 

A PEC e outras propostas apensadas aprovadas conferem ao parlamento a atribuição de dar a última palavra sobre os limites de TIs, Unidades de Conservação e quilombos, além de permitir empreendimentos econômicos dentro de TIs. Agora, o pacote de propostas segue ao plenário da Câmara e, se aprovado, vai ao Senado. Na prática, se aprovada pelo Congresso, a PEC deverá paralisar de vez a oficialização dessas áreas protegidas ao submetê-la às disputas internas do Legislativo.Deputados do PT, PSB, PV, Rede, PSol e PCdoB retiraram-se da votação em protesto (veja vídeo abaixo). Daí o resultado final: 21 a 0 pela aprovação do texto principal. Todos os dez destaques à matéria – apresentados por esses partidos – foram rejeitados. A reunião da comissão foi tumultuada, com bate boca e troca de acusações entre deputados favoráveis e contrários à PEC.


“Não vimos mais legitimidade nessa comissão. Essa comissão não tem autoridade pra votar essa matéria”, disse o deputado Sarney Filho (PV-MA), antes de deixar a reunião.

De acordo com o relatório aprovado, o governo deixa de realizar as demarcações por decreto e deverá enviá-las ao Congresso, na forma de Projeto de Lei (PL), que terá um rito abreviado, semelhante ao das Medidas Provisórias (MPs). O projeto seria submetido a uma comissão mista de deputados e senadores com prazo de 90 dias para apreciá-lo. Segundo o parecer, caso aprovado, o PL será remetido diretamente à sanção presidencial; se rejeitado, deve passar pelos plenários da Câmara e do Senado num prazo de 60 dias, sob pena de trancar a pauta.

Serraglio alega que a definição de prazos busca impedir que a tramitação das demarcações arraste-se indefinidamente. Tentando obter apoio do movimento indígena, o deputado prevê, em seu parecer, a reserva de uma vaga no parlamento para um representante indígena. Ele também retirou de seu relatório o dispositivo que previa a criação de uma comissão paritária para solucionar os conflitos envolvendo produtores rurais e índios.

“As novas alterações promovidas pelo relator em nada alteram as evidentes inconstitucionalidades presentes na PEC 215, visto que ela continua retirando direitos fundamentais dos povos indígenas, comunidades quilombolas e da sociedade como um todo, além de violar o princípio da separação de poderes ”, afirma Mauricio Guetta, advogado do ISA.

Índios protestam no corredor das comissões da Câmara.

As mudanças foram introduzidas no parecer após uma reunião de parlamentares com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), João Pedro Gonçalves da Costa, na manhã de ontem. Cardozo teria feito um apelo pelo adiamento da votação temendo a radicalização dos conflitos de terras.

Somente ontem, 14 rodovias, em 12 estados, foram trancadas por comunidades indígenas em protesto contra a PEC 215. Um grupo de cerca de 30 indígenas, impedido de entrar no plenário onde ocorreu a votação, manifestou-se no corredor de comissões da Câmara. Houve início de confusão com a segurança da Câmara. A mobilização também ocorreu nas redes sociais e a rejeição à PEC foi um dos cinco tópicos mais comentados no Twitter.

“A PEC 215 representa o genocídio dos povos indígenas do Brasil. Ela retira o direito dos povos indígenas aos nossos territórios”, advertiu Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). “Com a transferência do processo para o Congresso, nunca mais irão demarcar Terras Indígenas no Brasil”, concluiu.

Acirramento de conflitos

Antes de deixarem a sessão, parlamentares indigenistas usaram todo tipo de instrumento regimental para tentar adiar a votação. Eles argumentaram que as mudanças propostas por Serraglio de última hora precisariam ser discutidas com calma. O relator alegou que elas dizem respeito apenas aos procedimentos de tramitação das demarcações do Congresso.

“Não venham dizer que faltou tempo. O governo e o Ministério da Justiça não apresentaram nenhuma alternativa ao parecer em dez meses de discussão”, respondeu Nílson Leitão (PSDB-MT), presidente da Comissão Especial. Leitão é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostamente incitar a invasão da TI Marãiwatsédé (MT) (saiba mais).

Ruralistas posam para foto para comemorar aprovação da PEC 215

Os deputados contrários à PEC insistiram que ela é inconstitucional e alertaram que sua aprovação deverá acirrar os conflitos de terras no campo. Eles apelidaram-na de “PEC da morte”.

“Na prática, estão rasgando os direitos dos índios”, denunciou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ). “A sinalização de aprovar a proposta é uma ameaça, uma afronta, uma declaração de guerra para os índios. O Congresso deve lutar para encontrar uma saída dialogada, para acalmar os ânimos”, alertou.

“A PEC 215 quebra o contrato social estabelecido pela Constituição de 1988”, afirmou Nilto Tatto (PT-SP). Como organizações indígenas e indigenistas vêm defendendo, Tato insistiu que a solução para pacificar os conflitos entre índios e produtores rurais é a aprovação de outra PEC, a 132, que prevê a indenização de detentores de títulos de terra obtidos de boa fé e incidentes sobre TIs. Hoje, a Constituição determina apenas o pagamento das benfeitorias de produtores rurais que estejam nessas áreas.

Segundo estudo do ISA, PEC 215 impactaria diretamente os processos de demarcação de 228 TIs ainda não homologados, os quais devem ser paralisados. Essas terras representam uma área de 7.807.539 hectares, com uma população de 107.203 indígenas. Devem ser afetadas ainda 144 TIs cujos processos de demarcação estão sendo questionados judicialmente e 35 em processo de revisão de limites. Outro aspecto relevante é a abertura das TIs para empreendimentos de alto impacto socioambiental, como estradas e hidrelétricas – o que é proibido na atualidade e pode afetar todas as 698 TIs do país (saiba mais).

CPI da Funai

Outro ofensiva dos ruralistas contra os direitos dos povos indígenas também deverá ser oficializada nos próximos dias. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra a Funai deverá ser instalada. Para isso, bastará que os partidos indiquem nomes para o colegiado. O objetivo manifesto é desgastar ao máximo o órgão indigenista e o governo para pressionar pela mudança do decreto e da portaria do Ministério da Justiça que regulam os procedimentos demarcatórios.

Fonte: Instituto Socioambiental 

28
Out
15

MinC lança edital para digitalizar acervos sobre povos originários

Lideranças Krahô. Foto: Oliver Kornblithh/MinC
Desta quarta-feira (28) até 10 de janeiro de 2016, pesquisadores envolvidos em projetos que têm como foco as culturas indígenas brasileiras poderão concorrer a até R$ 80 mil para disponilizar acervos na internet. Lançado pela Secretaria de Políticas Culturais (SPC) do Ministério da Cultura (MinC) e pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o edital de pesquisa-ação Povos Originários do Brasil tem por objetivo incentivar e apoiar a coleta, recuperação, conservação e disponibilização via internet, para o acesso público, de acervos de interesse científico e cultural de bens do patrimônio indígena brasileiro. Acesse aqui o edital: Edital Povos Originários do Brasil
Poderão participar do edital, que contará com recursos de cerca de R$ 1,4 milhão, provenientes do Fundo Nacional de Cultura (FNC), pesquisadores vinculados a instituições de caráter científico ou tecnológico, públicas ou privadas e sem fins lucrativos.
Os recursos são destinados exclusivamente ao pagamento de bolsas de pesquisa com recursos de auxílio ao pesquisador. Os números de bolsas e categorias dependerão da demanda e da avaliação dos projetos apresentados. As propostas a serem apoiadas deverão ser executadas em um período de até 12 meses.
Histórico
Como parte das políticas adotadas pelo MinC, a SPC lançou, em 2014, também em parceria com a UFPE, as bases para a construção de uma política nacional que contemple a digitalização de acervos da cultura.
O primeiro edital teve como foco a Preservação e Acesso aos Bens do Patrimônio Afro-Brasileiro e recebeu 92 projetos – sendo que 24 deles foram selecionados, cobrindo um amplo espectro de acervos do patrimônio afro-brasileiro para o acesso público em meio digital.
Os projetos selecionados alinham-se a ação desenvolvida pela SPC, em conjunto com a Universidade Federal de Goiás (UFG), para desenvolvimento de solução tecnológica para digitalização dos acervos. A previsão é que, até o final de 2015, esses projetos já estejam no ar para acesso da sociedade.
30
Set
15

Cinema nas Aldeias Xavante leva filmes, lazer e reflexão para as aldeias da Terra Indígena Parabubure

Aldeia Bom Jesus da Lapa, TI Parabubure. Foto: Maíra Ribeiro

Aldeia Bom Jesus da Lapa, TI Parabubure. Foto: Maíra Ribeiro

Por Maíra Ribeiro

Nova Xavantina/MT – De 22 a 25 de setembro de 2015 aconteceu a terceira etapa do Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater. Desta vez, o cinema itinerante foi tocado pelos servidores Maíra Ribeiro e Hélio Sereparan e passou pelas aldeias xavante de Santa Clara, São Felipe e Bom Jesus da Lapa, todas na Terra Indígena (TI) Parabubure, em Campinápolis, Mato Grosso.

Um grande pano branco fazia a vez de telão armado no centro da aldeia, usando como suporte os pilares da varanda da escola ou até mesmo as traves do campo de futebol da aldeia. A comunidade já estava acomodada ao escurecer em carteiras escolares, esteiras no chão e bancos de madeira, quando começavam as sessões. A lua estava crescente, mas naquelas aldeias, ela brilhava já com muita intensidade iluminando as casas de palha em semi círculo.

Exibição de filmes na Aldeia Santa Clara. Foto: Maíra Ribeiro

Exibição de filmes na Aldeia Santa Clara. Foto: Maíra Ribeiro

Na aldeia Santa Clara, os jovens professores da escola indígena organizaram as atividades, coordenando a preparação do lanche, escolhendo a sequência dos filmes a ser exibidos e convidando a comunidade. Foram exibidos os filmes “Piõ Höimanazé – A mulher Xavante em sua arte” de Cristina Flória, “Índio Cidadão” de Rodrigo Siqueira, “Vale dos Esquecidos” de Maria Raduan e “Ödzé Nhimi Wamnari” de Aquilino Tsi’rui’a. Na manhã seguinte, as crianças fizeram desenhos coletivos sobre os filmes exibidos e depois apresentaram para todos em atividade junto à escola. Nas cartolinas, foram desenhados muitos caciques Damião. Essa importante liderança xavante aparece no filme “Vale dos Esquecidos” e sua presença ficou na memória das crianças.

Crianças apresentam desenho do cacique Damião na atividade sobre os filmes na escola da Aldeia Santa Clara. Foto: Maíra Ribeiro

Crianças apresentam desenho do cacique Damião na atividade sobre os filmes na escola da Aldeia Santa Clara. Foto: Maíra Ribeiro

Na noite seguinte foi a vez da aldeia São Felipe. Essa exibição contou com mais de cem pessoas. A aldeia gostou muito do filme “Piõ Höimanazé”, no qual as mulheres Xavante da aldeia Etehiritipá, da TI Pimentel Barbosa, contam como é sua vida, seu trabalho e seus costumes. O professor Norberto Tseredawa comentou: “Esse filme é muito bom! Não sei se na nossa aldeia as mulheres falariam assim, elas tem muita vergonha”.

Exibição do filme "Índio Cidadão" na aldeia São Felipe. Foto: Maíra Ribeiro

Exibição do filme “Índio Cidadão” na aldeia São Felipe. Foto: Maíra Ribeiro

A última aldeia por onde passou o cinema itinerante no mês de setembro foi a Aldeia Bom Jesus da Lapa. Foram exibidos os filmes “Ödzé Nhimi Wamnari”, “Piõ Höimanazé – A mulher Xavante em sua arte”, “Uma Casa Uma Vida” de Raiz das Imagens e “A Grande Caçada” de Adalbert Heidi, todos sobre o povo Xavante. Mesmo com a idade avançada, o cacique Cipriano era um dos mais animados e pediu a palavra após as exibições, refletindo sobre o que os caciques falavam nos filmes e sobre as mudanças culturais que vem ocorrendo na sua aldeia. Já era tarde e as pessoas voltavam para suas casas. Ao final da fala do cacique, um jovem pediu: “estamos em poucas pessoas aqui mas a gente quer ver mais filme, queremos ver o filme do Congresso Nacional”. Ele se referia ao filme “Índio Cidadão” que aborda a mobilização indígena desde a Constituinte até a ocupação do Congresso em 2013. A exibição prosseguiu, e algumas pessoas voltaram para continuar assistindo. Na manhã seguinte, a aldeia reuniu-se com a equipe da Funai na escola onde aconteceram atividade com as crianças e discussão com os adultos.

Em agosto, o Cinema nas Aldeias Xavante passou pelas aldeias Etepore, Campinas e Dzepá. Na aldeia Etepore, a atividade aconteceu junto com a Feira da Cultura da escola da aldeia. Essa etapa foi desenvolvida pelos servidores Mirian Tserebodowapré, Hélio Sereparan, da CTL Campinápolis e Indiana Petsirei’õ, da CTL Nova Xavantina, e contou com o apoio de Josué Rodrigues Nogueira Júnior, diretor da Escola Estadual Indígena David Aireró da Aldeia Etepore.

Feira da Cultura na Aldeia Etepore. Foto: Indiana Petsirei'o

Feira da Cultura na Aldeia Etepore. Foto: Indiana Petsirei’o

Desde julho deste ano, o projeto faz incursões mensais de exibição ao ar livre de documentários produzidos sobre ou com o povo Xavante nas aldeias da TI Parabubure. O projeto se estenderá até outubro visitando doze aldeias no total. É uma forma de divulgar as produções audiovisuais dentro das aldeias, que apesar de serem as mais interessadas, muitas vezes não tem acesso a elas. Através da exibição dos filmes, a comunidade tem a oportunidade de refletir e discutir sobre o passado, o presente e o futuro de seu povo. O projeto cultural tem apoio do Programa de Promoção do Patrimônio Cultural dos Povos Indígenas do Museu do Índio, e é desenvolvido pelas Coordenações Técnicas Locais de Campinápolis e Xavantina da Funai.

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06
Ago
15

Aconteceu a primeira etapa do projeto “Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater”

Sessão de cinema na Aldeia Espírito Santo

Sessão de cinema na Aldeia Espírito Santo

Entre os dias 27 e 30 de julho de 2015, aconteceu a primeira etapa do ciclo de cinema itinerante promovido pela Funai nas aldeias xavante

Por Maíra Ribeiro, Funai CTL em Nova Xavantina/MT

No centro da aldeia ou debaixo de um pé de manga, armava-se o telão. Numa mesinha, colocavam-se os equipamentos de som e projeção. As cadeiras da escola eram dispostas para a comunidade sentar. Assim, sem muita cerimônia, foi montada a estrutura nas três aldeias xavante por onde passou o “Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater”, executado pelas servidoras Maíra Ribeiro e Mirian Tsibodowapré, no fim de julho de 2015. O projeto é desenvolvido numa parceria entre as Coordenações Técnicas Locais (CTL) em Nova Xavantina/MT e em Campinápolis/MT, com apoio do Programa de Promoção do Patrimônio Cultural dos Povos Indígenas do Museu do Índio.

O projeto tem dois objetivos. Por um lado, divulga nas aldeias os filmes sobre o povo Xavante e povos indígenas, criando um espaço de lazer e cultura junto às comunidades da Terra Indígena (TI) Parabubure. Por outro lado, seguindo a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a exibição dos filmes traz reflexão e discussão sobre temas pertinentes e cotidianos através de outra linguagem.

Os filmes selecionados são documentários que tratam de diferentes questões presentes na vida das comunidades indígenas, como alcoolismo, conflitos territoriais e direitos indígenas (veja a seleção de filmes no quadro abaixo). Para fomentar a discussão nas aldeias, na manhã seguinte, são trabalhadas atividades relacionadas aos temas tratados nos filmes exibidos na noite anterior.

Como foi esta etapa?
Sessão de cinema na Aldeia Parabubure

Sessão de cinema na Aldeia Parabubure

A primeira aldeia a receber o cinema itinerante foi a Parabubure, no dia 27 de julho. A comunidade juntou-se para ver os filmes “Pi’õ Höimanadzé” de Cristina Flória, “Uma Casa Uma Vida” de Raiz das Imagens e “Vale dos Esquecidos” de Maria Raduan. Este último retrata a luta pela terra dos Xavante de Marãiwatsédé e foi o gancho para a atividade junto com a comunidade na manhã seguinte. O Cacique Celestino foi convidado para contar às crianças a história de genocídio e expulsão sofridos em meados do século passado pelo povo de Parabubure e a luta e reconquista deste território xavante ainda na década de 1970.

No dia seguinte, a equipe rumou para as aldeias Espírito Santo e Ro’oredzaodzé, localizadas uma de frente para a outra. A exibição de filmes aconteceu debaixo do pé de caju na Aldeia Espírito Santo enquanto as atividades na manhã seguinte aconteceram na escola da Aldeia Ro’oredzaodzé. Os jovens comentaram que o filme exibido que mais gostaram foi “A Grande Caçada”, do salesiano Adalbert Heidi. Este filme mostra uma caçada com fogo tradicional xavante feita na Missão de São Marcos, na região de General Carneiro/MT, na década de 1970. Apesar da distância temporal de quatro décadas, os jovens se identificaram com as cenas, consideradas verdadeiras e atuais pelos espectadores. Observaram algumas pequenas mudanças, como o canto ritual antes da caçada que eles não fazem mais nesta aldeia. “Queremos uma cópia do filme para aprender os cantos, aprender mais, porque não sabemos e os velhos não nos ensinam” comentou o jovem Régis Tsawe.

 

Atividade de análise territorial junto aos jovens da Aldeia Ro'oredzaodze

Atividade de análise territorial junto aos jovens da Aldeia Ro’oredzaodze

No dia 29 de julho, o Cinema nas Aldeias Xavante chegou na Aldeia São Gabriel, onde foram exibidos os filmes “Ödzé Nhimi Wamnari”, de Aquilino Tsi’rui’a, “Pi’õ Höimanadzé” e “Índio Cidadão”, de Rodrigo Siqueira. Sob a lua quase cheia, a pequena comunidade reuniu-se no centro da aldeia para assistir aos filmes. Nesta aldeia, a atividade do dia seguinte foi diferente. Os indígenas propuseram visitar o “fervedor”, uma nascente próxima à aldeia onde brota água da areia. Nessa pequena expedição, os indígenas aproveitaram para limpar a estrada até o local, gerindo e zelando o território.

Ao todo, o projeto circulará em doze aldeias na TI Parabubure, de julho a outubro deste ano. Para ampliar o alcance da divulgação do material audiovisual xavante, é prevista a produção de uma caixa com todos os filmes exibidos para ser distribuída em todas as escolas indígenas no âmbito das sete Terras Indígenas xavante.

Role os slides para ver as fotos da primeira etapa do “Cinema nas Aldeias Xavante”

 

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