06
ago
15

Aconteceu a primeira etapa do projeto “Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater”

Sessão de cinema na Aldeia Espírito Santo

Sessão de cinema na Aldeia Espírito Santo

Entre os dias 27 e 30 de julho de 2015, aconteceu a primeira etapa do ciclo de cinema itinerante promovido pela Funai nas aldeias xavante

Por Maíra Ribeiro, Funai CTL em Nova Xavantina/MT

No centro da aldeia ou debaixo de um pé de manga, armava-se o telão. Numa mesinha, colocavam-se os equipamentos de som e projeção. As cadeiras da escola eram dispostas para a comunidade sentar. Assim, sem muita cerimônia, foi montada a estrutura nas três aldeias xavante por onde passou o “Cinema nas Aldeias Xavante: ver, ouvir e debater”, executado pelas servidoras Maíra Ribeiro e Mirian Tsibodowapré, no fim de julho de 2015. O projeto é desenvolvido numa parceria entre as Coordenações Técnicas Locais (CTL) em Nova Xavantina/MT e em Campinápolis/MT, com apoio do Programa de Promoção do Patrimônio Cultural dos Povos Indígenas do Museu do Índio.

O projeto tem dois objetivos. Por um lado, divulga nas aldeias os filmes sobre o povo Xavante e povos indígenas, criando um espaço de lazer e cultura junto às comunidades da Terra Indígena (TI) Parabubure. Por outro lado, seguindo a máxima de que uma imagem vale mais que mil palavras, a exibição dos filmes traz reflexão e discussão sobre temas pertinentes e cotidianos através de outra linguagem.

Os filmes selecionados são documentários que tratam de diferentes questões presentes na vida das comunidades indígenas, como alcoolismo, conflitos territoriais e direitos indígenas (veja a seleção de filmes no quadro abaixo). Para fomentar a discussão nas aldeias, na manhã seguinte, são trabalhadas atividades relacionadas aos temas tratados nos filmes exibidos na noite anterior.

Como foi esta etapa?
Sessão de cinema na Aldeia Parabubure

Sessão de cinema na Aldeia Parabubure

A primeira aldeia a receber o cinema itinerante foi a Parabubure, no dia 27 de julho. A comunidade juntou-se para ver os filmes “Pi’õ Höimanadzé” de Cristina Flória, “Uma Casa Uma Vida” de Raiz das Imagens e “Vale dos Esquecidos” de Maria Raduan. Este último retrata a luta pela terra dos Xavante de Marãiwatsédé e foi o gancho para a atividade junto com a comunidade na manhã seguinte. O Cacique Celestino foi convidado para contar às crianças a história de genocídio e expulsão sofridos em meados do século passado pelo povo de Parabubure e a luta e reconquista deste território xavante ainda na década de 1970.

No dia seguinte, a equipe rumou para as aldeias Espírito Santo e Ro’oredzaodzé, localizadas uma de frente para a outra. A exibição de filmes aconteceu debaixo do pé de caju na Aldeia Espírito Santo enquanto as atividades na manhã seguinte aconteceram na escola da Aldeia Ro’oredzaodzé. Os jovens comentaram que o filme exibido que mais gostaram foi “A Grande Caçada”, do salesiano Adalbert Heidi. Este filme mostra uma caçada com fogo tradicional xavante feita na Missão de São Marcos, na região de General Carneiro/MT, na década de 1970. Apesar da distância temporal de quatro décadas, os jovens se identificaram com as cenas, consideradas verdadeiras e atuais pelos espectadores. Observaram algumas pequenas mudanças, como o canto ritual antes da caçada que eles não fazem mais nesta aldeia. “Queremos uma cópia do filme para aprender os cantos, aprender mais, porque não sabemos e os velhos não nos ensinam” comentou o jovem Régis Tsawe.

 

Atividade de análise territorial junto aos jovens da Aldeia Ro'oredzaodze

Atividade de análise territorial junto aos jovens da Aldeia Ro’oredzaodze

No dia 29 de julho, o Cinema nas Aldeias Xavante chegou na Aldeia São Gabriel, onde foram exibidos os filmes “Ödzé Nhimi Wamnari”, de Aquilino Tsi’rui’a, “Pi’õ Höimanadzé” e “Índio Cidadão”, de Rodrigo Siqueira. Sob a lua quase cheia, a pequena comunidade reuniu-se no centro da aldeia para assistir aos filmes. Nesta aldeia, a atividade do dia seguinte foi diferente. Os indígenas propuseram visitar o “fervedor”, uma nascente próxima à aldeia onde brota água da areia. Nessa pequena expedição, os indígenas aproveitaram para limpar a estrada até o local, gerindo e zelando o território.

Ao todo, o projeto circulará em doze aldeias na TI Parabubure, de julho a outubro deste ano. Para ampliar o alcance da divulgação do material audiovisual xavante, é prevista a produção de uma caixa com todos os filmes exibidos para ser distribuída em todas as escolas indígenas no âmbito das sete Terras Indígenas xavante.

Role os slides para ver as fotos da primeira etapa do “Cinema nas Aldeias Xavante”

 

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Lista-filmes

22
jul
15

Ministério da Cultura recebe inscrição de indígenas para editais de Cultura Viva

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Os povos indígenas já podem se inscrever para os Editais voltados à Política Nacional de Cultura Viva lançados pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural em parceria com a Secretaria do Audiovisual e a Fundação Nacional do Índio, lançados na FUNARTE do Rio de Janeiro no dia 2 de julho.

No total são treze milhões de reais para o fomento de 210 iniciativas para indígenas; coletivos e entidades que atuem com mídia livre produzindo conteúdos independentes em sons, imagens, vídeos, textos, entre outros.

Os editais contemplam Pontos de Mídia Livre e de Cultura Indígena e trás este ano um tema inédito: o fomento e a premiação de Culturas de Rede, apoiando a organização em redes e as articulações entre os diversos segmentos da cultura brasileira. Serão premiadas 40 iniciativas, divididas em duas categorias com premio de R$ 50 mil. Às iniciativas classificadas serão concedidas 50 antenas de conexão à internet.

O Edital de Pontos de Culturas Indígenas destina-se à valorização e estímulo a iniciativas culturais de povos indígenas e suas comunidades, certificando-as como Pontos de Cultura. Apenas os povos indígenas e suas comunidades poderão concorrer por meio de suas organizações juridicamente constituídas e com autorização expressa das comunidades.

A inscrição para os Pontos de Cultura Indígena pode ser de forma oral e audiovisual, enviando um vídeo ou um arquivo de voz descrevendo a proposta, uma inovação que valoriza a tradição oral dos povos indígenas.

Links para informações e inscrições:

Edital Pontos de Mídia Livre

Cultura de Redes – Fortalecimento de Redes Culturais do Brasil

Edital Pontos de Cultura Indígena

Fonte: Página da Funai

22
jul
15

UFSCar divulga edital sobre a seleção para ingresso de Indígenas em 2016 nos cursos de graduação presenciais.

A Universidade Federal de São Carlos publicou o edital a respeito da seleção para ingresso de estudantes Indígenas em 2016 nos seus cursos de graduação presenciais.

Os candidatos têm até o dia 4 de setembro para enviar à UFSCar a documentação completa, via correio, contendo a ficha de inscrição e declaração de etnia e de vínculo com comunidade indígena. Realizado desde o ano de 2008, a novidade para esta edição do vestibular é a aplicação das provas em 4 capitais: Cuiabá, Manaus, Recife e São Paulo. Antes, a prova era aplicada somente em São Carlos, no campus da UFSCar.

A expectativa da universidade é que o número de inscritos aumente bastante, já que a prova está sendo levada para as regiões de onde há maior demanda de inscritos em anos anteriores e também de onde são oriundos a maior parte dos estudantes indígenas que estudam na UFSCar atualmente.

Ao todo serão ofertadas 62 vagas, sendo 1 vaga para cada opção de curso da UFSCar, distribuídas entre os campi de Araras, Buri – Lagoa do Sino, São Carlos e Sorocaba.

Todos os detalhes da seleção específica para Indígenas na UFSCar devem ser conferidos no edital.Outras informações podem ser obtidas com a Coordenadoria de Ingress na Graduação, pelo telefone (16) 3351-8152 ou neste site.

Fonte: Página do Vestibular Indígena da Ufscar – 25/06/2015
01
jul
15

Etapa Local Xavante na Aldeia São Felipe da Conferência Nacional de Política Indigenista

Etapa Local Xavante da Conferência Nacional de Política Indigenista, na Aldeia São Felipe.

Etapa Local Xavante da Conferência Nacional de Política Indigenista, na Aldeia São Felipe.

De 24 a 26 de junho de 2015, lideranças da Terra Indígena Parabubure se reuniram para discutir as políticas indigenistas.

Por Maíra Ribeiro/Funai

Cerca de cem indígenas Xavante, entre caciques, lideranças, pajés, professores, agentes de saúde, anciãos e jovens participaram da Etapa Local Xavante da Terra Indígena Parabubure, que aconteceu na Aldeia São Felipe, no município de Campinápolis, Mato Grosso.

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O primeiro dia foi dedicado a palestras que apresentaram os 6 eixos temáticos a serem discutidos: I. Territorialidade e o Direito Territorial dos Povos Indígenas; II. Autodeterminação, Participação Social e Direito à Consulta; III. Desenvolvimento Sustentável de Povos e Terras Indígenas; IV. Direitos Individuais e Coletivos dos Povos Indígenas; V. Diversidade Cultural e Pluralidade Étnica no Brasil; VI. Direito à Memória e à Verdade.

No segundo dia, os participantes se dividiram em 6 grupos nos quais discutiram e fizeram propostas dentro de cada eixo temático. Algumas propostas estavam diretamente relacionadas à realidade vivida, como a ameaça dos agrotóxicos e da pesca ilegal predatória ou a agilização na criação da Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas em Campinápolis. Já outras propostas faziam uma ponte com a conjuntura nacional, como a rechaça de todos os presentes à PEC-215 e a necessidade de garantir a participação e a consulta dos indígenas nas políticas indigenistas.

No último dia, os participantes trabalharam até tarde da noite na construção das propostas. Houve debates calorosos e o trabalho foi cansativo, mas foi um momento único de construção coletiva e participativa de propostas pensadas pelos moradores da TI Parabubure. Esperamos que este esforço consiga reverter-se em melhorias para as comunidades indígenas de todo o Brasil.

Participantes trabalharam até tarde na construção das propostas.

Participantes trabalharam até tarde na construção das propostas.

Numa cultura acostumada com a ausência de mulheres nos espaços políticos, a participação ativa de três mulheres Xavante marcou a Etapa, e estas foram escolhidas como representantes para participar da Etapa Regional da CNPI, que ocorrerá em Cuiabá em setembro. Nesta Etapa Local, foram escolhidos 13 representantes para a Conferência Regional, onde está prevista a participação de 80 Xavante que serão escolhidos nas quatro Etapas Locais Xavante.

Poucas mulheres Xavante participaram do encontro.

Poucas mulheres Xavante participaram do encontro.

Esta foi a 2ª Etapa Local da Conferência Nacional de Política Indigenista das quatro que a Coordenação Regional Xavante da Funai está apoiando, e organizada pelo representante Xavante da CNPI Crisanto Tseremey’wa. A primeira Etapa Local ocorreu na Aldeia Campinas, também na TI Parabubure, contando com representantes das TIs Marechal Rondon, Ubawawe, Chão Preto e da porção oeste da TI Parabubure. Além das Etapas Locais apoiadas pela Coordenação Regional Xavante, de Barra do Garças/MT, já aconteceu também uma Etapa Local Xavante na Aldeia Marãiwatsédé, apoiada pela Coordenação Regional de Ribeirão Cascalheiras/MT. As próximas Etapas Locais Xavante ocorrerão na Aldeia Pimentel Barbosa de 8 a 10 de julho, com representantes das TI Pimentel Barbosa e Areões e na TI São Marcos, de 22 a 24 de julho, com representantes das TIs São Marcos e Sangradouro. Ao todo são 131 Etapas Locais em todo o Brasil. O evento é organizado pela Comissão Nacional de Política Indigenista da Funai.

Exibição do filme Índio Cidadão durante a janta.

Exibição do filme Índio Cidadão durante a janta.

Quem foi à aldeia São Felipe para a Etapa Local pode acompanhar um pouco do longo rito de passagem dos jovens Xavante, conhecido como furação de orelha, ou Danhono:

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Imagens: Maíra Ribeiro/Funai

02
jun
15

Aldeia Xavante recebe visita de estudantes da Unemat de Nova Xavantina

Dança e canto do grupo Nodzo'u junto aos estudantes da Unemat

Dança e canto do grupo Nodzo’u junto aos estudantes da Unemat

Por Maíra Ribeiro/Funai

No dia 31 de maio de 2015, aconteceu a visita à aldeia xavante Santa Clara de um grupo de cerca de 30 pessoas entre estudantes e professores do curso de Turismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Campus de Nova Xavantina. A aldeia, que tem cerca de 300 moradores, é uma das quase 150 aldeias da Terra Indígena Parabubure, localizada no município de Campinápolis. A visita aconteceu como parte das disciplinas de Cultura e Folclore de Mato Grosso e Patrimônio Cultural, da professora Bruna Mendes de Fava, do 1º e 3º semestres do curso de Turismo e contou também com os alunos e a professora Rita Maria de Paula Garcia da disciplina de Estudo do Espaço Turístico.

Grupo da Unemat foi recebido com a corrida de tora de buriti

Aldeia Santa Clara dá as boas vindas com uma corrida de tora de buriti

Foi com uma corrida de tora de buriti que os visitantes foram recebidos na Aldeia Santa Clara. O cacique Miguel convidou os estudantes para participar da corrida e nem o sol a pino intimidou a turma. Alguns conseguiram acompanhar os 6 km de corrida até a aldeia e até experimentaram carregar a tora nos ombros.
Estudantes ajudam jovem do grupo Abare'u no revezamento da tora de buriti

Estudantes ajudam jovem do grupo Abare’u no revezamento da tora de buriti

A festa continuou com o canto e a dança em frente às casas da aldeia pelos dois grupos competidores: Abare’u e Nodzo’u, o vencedor do dia. Mais uma vez o grupo de visitantes se juntou aos atletas Xavante e dançaram de mãos dadas em roda.

Dança e canto xavante

Dança e canto xavante

Após esses momentos de troca, foi feita uma roda no centro da aldeia com visitantes e moradores, onde o cacique apresentou e deu as boas vindas enquanto as professoras apresentaram o grupo. Um grande interesse dos jovens da aldeia era ter mais informações sobre o ingresso à universidade. A professora Rita falou sobre os cursos oferecidos pelo campus de Nova Xavantina e a forma de ingresso pelo ENEM e o sistema de cotas raciais, que destina vagas para negros e indígenas. A Unemat é uma universidade estadual, pública e gratuita.

Roda de apresentação com participação dos moradores da aldeia e dos visitantes

Roda de apresentação com participação dos moradores da aldeia e dos visitantes

Os estudantes também foram ao centro falar suas impressões e agradecer a oportunidade, enquanto os anciãos indígenas também colocaram suas palavras. Um senhor Xavante lembrou que ele é nascido antes do contato com não-indígenas e que nunca tinha visto um grupo grande visitar uma aldeia, querendo conhecer a cultura Xavante com respeito e admiração.

Professora Bruna e estudante Ivan falam sobre o intercâmbio

Professora Bruna e estudante Ivan falam sobre o intercâmbio

Ao final, os indígenas trouxeram artesanatos para vender e trocar, enquanto o grupo trouxe caixas e mais caixas de alimentos, roupas e brinquedos arrecadados em Nova Xavantina para doação e repartição entre as famílias da aldeia.

Mulheres fazem cestos de palha de buriti na aldeia Santa Clara

Mulheres fazem cestos de palha de buriti na aldeia Santa Clara

A Funai esteve presente durante o processo através das servidoras Maíra Taquiguthi Ribeiro e Mirian Marcos Tsobodawapre, das Coordenações Técnicas Locais de Nova Xavantina e de Campinápolis, respectivamente. Além dos contatos por telefone, duas semanas antes da visita, as servidoras se reuniram com a comunidade na aldeia para esclarecer a proposta da visita, discutir e planejar a programação de atividades que seriam realizadas. Já nas duas disciplinas da professora Bruna de Fava, houve dois momentos anteriores à visita de conversa com introdução à cultura Xavante e orientações para a visita, com a indigenista Maíra Ribeiro, para a preparação dos alunos.

Esta é uma primeira experiência de visita de estudantes do curso de Turismo da Unemat a uma aldeia xavante. A comunidade abriu seu espaço para esta vivência com o objetivo de mostrar a beleza da cultura Xavante e de vencer o preconceito tão forte que ainda existe nos moradores das cidades que convivem com o povo Xavante. Foi um momento rico de troca e de aprendizado para os estudantes universitários, que puderam abrir seus horizontes, conhecendo uma cultura tão próxima a sua realidade e ao mesmo tempo tão distante e pouco conhecida. Muitos estudantes comentaram que aquela foi uma experiência que mudou a forma de ver o povo Xavante e os povos indígenas. Para a Funai, a parceria é importante para abrir caminho para trazer a universidade, um centro de produção de conhecimento, para perto das demandas locais dos povos indígenas da região.

Imagens: Alunos e professores do curso de Turismo da Unemat e equipe da Funai

11
mai
15

Exibição nesta sexta de “A grande caçada” na Funai em Nova Xavantina

cineautenticomaioFilme registra uma caçada de fogo e o cotidiano do povo Xavante nos anos 70

No dia 15 de maio, às 08:30 da manhã haverá mais uma sessão do Cine Autêntico, na Coordenação Técnica Local da Funai em Nova Xavantina. Neste mês, será exibido o filme “A grande caçada”, do padre salesiano Adalbert Heidi. A escolha do título deste mês foi feita pelo próprio público Xavante da exibição passada, que pediu para ver imagens antigas dos Xavante.

O filme é de 2006, mas as cenas exibidas foram filmadas na década de 1970 na Missão de São Marcos, em Mato Grosso. Durante duas horas de filme, acompanhamos todo o processo para a realização de uma caçada tradicional xavante, da preparação, da queimada até divisão da caça. Ao mesmo tempo, nos são apresentadas imagens do cotidiano das comunidades da Terra Indígena São Marcos, como banho de cachoeira da criançada e caminhadas pelo cerrado. O filme, entrecortado por falas em português, alemão e xavante, é um passeio pelo passado recente do povo Xavante.

O diretor, que inclusive discursa no longa, rende um próprio roteiro de filme. Mestre Adalberto, como é chamado pelos Xavante, é um padre missionário alemão que trabalha com os Xavante e Bororo desde os anos 50. Depois de décadas atrás das câmaras dedicado à produção de filmes e de registros da vida do povo Xavante e das celebrações da missão salesiana em Mato Grosso, ele foi protagonista do premiado documentário “O Mestre e o Divino”, de Tiago Campos (2013).

O Cine Autêntico acontece uma vez por mês no escritório da Funai em Nova Xavantina. A exibição é gratuita, tendo como público-alvo os Xavante que moram ou estão de passagem por Nova Xavantina.

Serviço:

Exibição do filme “A grande caçada” (Entrada gratuita – somente 20 lugares)

Data: 15 de maio de 2015 Horário: 08:30

Local: Coordenação Técnica Local da Funai em Nova Xavantina

Rua São Paulo, 38 – Centro – Nova Xavantina/MT

Contatos: (66) 3438-2213 | ctl.novaxavantina1@funai.gov.br | https://funaixavantina.wordpress.com

30
abr
15

Vamos conhecer as roças de toco xavante?

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A ROÇA DE TOCO XAVANTE

A roça tradicional xavante é a chamada roça de toco. A roça pode ser feita com o trabalho familiar ou de forma comunitária por um grupo de famílias ou por toda uma aldeia. Para a produção nestas roças na região, o trabalho começa ainda em abril, com a abertura de uma área de mata de terra preta e fértil, geralmente próximo aos córregos. A abertura se faz através do corte das árvores da área escolhida tradicionalmente com machado, foice, facão, havendo mais recentemente também o uso de motosserras para facilitar o árduo trabalho. Posteriormente, no período seco a partir de julho, a área é queimada de forma que as cinzas da matéria orgânica cortada são depositadas no solo ao mesmo tempo em que a área para plantio é limpa.

Após o início das chuvas, é feito o plantio de alimentos, sendo comum o plantio de milho, arroz, feijão e abóbora nas roças Xavante, incluindo as variedades de milho e feijão desenvolvidas pelos próprios indígenas. No fim do ano, durante todo o período chuvoso, é tempo de cuidar da roça, limpando, plantando e colhendo. Ao final das colheitas, a área é deixada em descanso. O banco de sementes naturalmente encontrado no solo germina e cria uma mata em regeneração, a capoeira. Esta área pode passar por todo esse processo novamente ainda por dois ou três anos. Quando a área já não apresenta bons resultados para o plantio da roça de toco, é procurado um novo local para a roça enquanto este descansa, podendo ser futuramente reutilizado.

Esta técnica de plantio, comum a quase todos os povos indígenas, foi aprendida pelos povos sertanejos, caboclos e caipiras, já tendo sido uma das mais utilizadas na produção de alimentos no Brasil. Com a diminuição das florestas e das terras utilizadas por estas comunidades tradicionais, a agricultura camponesa passou a utilizar técnicas mais intensivas sobre o solo, seja pela mecanização da área, seja de uma forma mais sustentável, através da produção agroflorestal. Algumas comunidades indígenas também lançam mão destas técnicas. Porém, a roça de toco tradicional é bastante praticada pelos povos indígenas dentro de seus territórios, tendo grande importância na garantia de uma alimentação saudável e culturalmente adequada para suas famílias.

Na maioria das casas, o quintal é pequeno, com algumas frutíferas, mandioca e cultivos rasteiros, como abóbora e feijão. Porém, alguns quintais são grandes e é ali que a família planta sua produção. A principal diferença, no aspecto produtivo, é que as roças de toco são feitas em áreas de alta fertilidade, somado ao processo de queima que aumenta momentaneamente os nutrientes do solo. Já os quintais são feitos em terrenos de menor fertilidade natural, mas de mais fácil manejo e cuidado, por estarem dentro da aldeia e próximo às casas. Isso ajuda a combater um dos maiores problemas relatados: o ataque de animais selvagens, como cateto e cotia à produção.

Algumas famílias Xavante não produzem mais em roças de toco, valendo-se principalmente dos alimentos que conseguem comprar da cidade. Mas a maioria combina diferentes estratégias para conseguir comida, como fazer a roça, comprar nos mercados, conseguir doações, produzir nos quintais próximos às casas, fazer coleta de frutas e batatas no cerrado, além de caçar e pescar. Tem sido também cada vez mais comum a criação de pequenos animais, principalmente galinhas, para a alimentação familiar. Essa criação costuma ser solta e são aproveitados os restos de comida da casa.

LEVANTAMENTO PRODUTIVO

Entre fim de 2014 e início de 2015, as Coordenações Técnicas Locais (CTL) da Funai subordinadas à Coordenação Regional (CR) Xavante realizaram o georreferenciamento das roças tradicionais das aldeias xavante nas Terras Indígenas (TI) atendidas: TI Marechal Rondon, Sangradouro, São Marcos, Areões, Pimentel Barbosa, Ubawawe, Chão Preto e Parabubure. A CTL em Nova Xavantina fez este levantamento entre os dias 16 e 21 de março de 2015, pelos servidores Hélio Tsereparan (motorista, CTL Campinápolis) e Maíra Ribeiro (indigenista, CTL Nova Xavantina), no qual foram visitadas 45 aldeias. Para ter acesso ao relatório completo, entre em contato com a CTL Nova Xavantina pelo e-mail: ctl.novaxavantina1@funai.gov.br . A TI Parabubure conta com mais de 100 aldeias cujo atendimento da Funai é dividido entre as CTL em Campinápolis e em Nova Xavantina.

Espera-se com o georreferenciamento das roças em todas as TI atendidas pela CR Xavante, criar um banco de dados para basear nossas atividades. Assim, aproximar-se da produção real das comunidades Xavante e da demanda real por apoio, como ferramentas, sementes e galinheiros. Este mapeamento permite compreender ainda o tamanho médio das roças feitas pelos braços xavante e as variações dentro de uma mesma Terra Indígena e entre Terras xavante. E futuramente, a dinâmica destas ao longo do tempo, por exemplo, se há aumento, diminuição ou mesmo variações cíclicas na abertura de roças pelas comunidades. Em maio está prevista mais uma etapa no apoio às roças tradicionais pela CTL em Nova Xavantina, com a entrega de ferramentas para a abertura das novas roças para às aldeias que possuem roça.

Das 46 aldeias atendidas pela CTL Nova Xavantina, 15 aldeias tem roças e 37 tem quintais somando uma área total de 8,705 hectares de plantios para subsistência. As aldeias atendidas são pequenas, com até 60 moradores. Observa-se que as roças também não são muito grandes, com no máximo 1 hectare. O tamanho da roça dependerá da força de trabalho disponível para abri-la e cuidá-la e da produção necessária para alimentar a família. Portanto, a lógica não é só quantitativa, ou seja, quanto maior melhor. Vale lembrar que o que é apresentado aqui não é um retrato da produção de todo o povo Xavante, já que a população Xavante total é de 18 mil pessoas em mais de 200 aldeias Xavante espalhadas por 9 Terras Indígenas, havendo grande variação de um lugar para outro.




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